quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

1 - Nascer


            - Indentificação.
            - Leonard A. Huxley, número 28353.
            - Bom dia Dr. Huxley, seja bem vindo a sua estação de trabalho – assim os dias se passavam no laboratório do Dr. Huxley. Um dos principais Geneticistas e mentes brilhantes do centro 3212 da cidade. Inventor de uma das fórmulas mais eficazes de cura e proteção para algumas doenças. Em sua mesa brilhavam as plaquinhas de premiações.
            Nobel.
            Tudo seria mais um dia se aquele não fosse o dia que ele mais esperou. Dr. Huxley sabia que tinha acendido o estopim para uma nova era e tudo seria questão de tempo. Por mais incrédulo que fosse, ele não passava debaixo de escadas e tinha o sete como número da sorte.
            E tal número trouxe felicidades.
            Ele estava esperou aquele telefone tocar a tarde inteira. Não consegiu se concentrar em nada, não conseguiu pensar em nada, tudo dependia se aquele feto sobreviveria.
            - Alô.
            - Dr. Huxley, está pronto.
            Seu coração apertou dentro da caixa toráxica. A espera de quinze anos seria finalizada.  Saiu de sua estação de trabalho e desceu as escadas rapidamente. Esperar o elevador chegar fora uma tortura gigantesca. Sentia grande alegria e medo, eram quinze anos, sabia que seria uma última chance. Nunca o tragéto até as incubadoras demorou tanto! O coração fraco do Dr. Huxley começou a fraquejar, ele precisava chegar lá depressa.
            - Leonard A. Huxley, número 28353 – falou entre as respirações pesadas. A grande porta de metal se abriu e uma pequena fumaça fria, como aquela que saem da geladeira, cobriu os pés do Dr.
            - Chegou bem na hora Dr. Huxley, sua encomenda está pronta. Não sei porque o “R-777” é tão importante para o senhor, mas tudo correu bem, todos os sinais vitais estão em perfeita ordem – Ele digita um código no painel da incubadora e a proteção de metal se levanta.
            Uma lágrima escorre nos cansados olhos do doutro Huxley.
            Revela-se no infinito daquela incubadora a figura de um rapaz de 15 anos de idade. Seu corpo estava ligado por cabos e fios de alimentação dos quais, os mesmos saiam da incubadora. Também possuia uma máscara inaladora cobrindo boca e nariz.
            Lá estava ele, vivo!
            - Quando começaram os Check-ups eu quero estar presente.
            - Sim senhor.
            Dr. Huxley deu a ultima olhada em R-777. Lá estava ele, fruto de toda uma vida em pesquisas genética, fruto de todos os sonhos que ele possuia no futuro. Sentia-se emocionado. Seu nome seria Alex.
            Os dois cientistas saem da área das incubadoras. A porta de metal novamente se fecha tornando tudo escuro, a penumbra toma conta de tudo e o frio novamente toma conta das incubadoras. Silêncio total, os batimentos cardiacos entram em compasso. Naquela câmara, naquele lugar, o agora Alex toma vida, ele nasce.
            Ele abre os olhos.

               
PRÓLOGO

           
Antes de qualquer nascimento tudo o que contemplamos é o completo e total silêncio. No profundo do ventre materno o silêncio e a escuridão reinam de maneira sufocante para cada ser vivente. Respiramos líquido aminiótico e nos alimentamos do que nossa mãe nos alimenta.
            Chega a luz e um pequeno apocalipse acontece.
            O nascer.
            Mas tudo aquilo estava bem distante de ser um útero materno, estava bem distante do calor de uma mãe para com o filho, estava bem distante da aconchegante escuridão  e do sapiente silêncio interno de uma mãe. Os longos cabos de alimentação e as fracas luzes do ambiente implicavam em um assombrosa penumbra.  Irmãos e irmãs, todos dispostos lado a lado em grandes câmaras com oxigênio líquido e nutrientes. Cada setor possuía cerca de cinquenta indivíduos em fase embrionária. Aqueles seriam os trabalhadores do novo mundo.
             O som metálico dos passos apressados naquele corredor escuro chamaria a atenção de guardas atentos. Mas era um domingo e toda a cidade estava em festa.
            Ele precisaria escolher apenas um individuo.
            O homem viu-se refletido no vidro daquela câmara encubatória. “R-777” sete era o seu número da sorte. O homem se abaixa, abre o painel de controle da câmara e ajusta o oxigênio em máxima potência.
            - Nos veremos daqui há alguns anos – o homem fala para a pequena massa de carne em formação naquele vidro cheio de líquido.
            Logo, a escuridão volta a reinar na sala.